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Chegada de carros elétricos pode ser prejudicada por novo imposto no Brasil

Mas qual seria o benefício das montadoras tradicionais com a reintrodução da taxa de importação? A resposta envolve estratégias de mercado. Muitas montadoras tradicionais também pagariam o imposto de importação para seus carros elétricos, mas a diferença está na estrutura de custos e margens de lucro.
Publicado em Notícias dia 2/10/2023 por Alan Corrêa

A discussão em torno da reintrodução da taxa de importação de veículos elétricos no Brasil envolve uma série de considerações, incluindo impactos nos preços, concorrência entre montadoras locais e estrangeiras, e o acesso dos consumidores a veículos elétricos mais acessíveis.

O governo brasileiro, ao tomar uma decisão sobre esse assunto, deve considerar cuidadosamente como essa medida afetará o mercado de veículos elétricos e o progresso em direção à eletrificação da frota de veículos no país. A indústria automobilística e os consumidores estão atentos a essa discussão, pois ela moldará o futuro da mobilidade elétrica no Brasil.

O mercado de veículos elétricos está experimentando um momento de transformação no Brasil, à medida que a concorrência se intensifica entre as montadoras locais e os fabricantes chineses. Essa competição está resultando em uma queda nos preços dos veículos elétricos, mas também gerando um debate sobre a reintrodução da taxa de importação desses veículos, que tem sido isenta desde 2016.

As montadoras instaladas no Brasil estão fazendo de tudo para barrar o que chamam de “invasão chinesa” no mercado de veículos elétricos. Pela segunda vez, o país vive um momento de enxurrada de veículos elétricos fabricados na China, e isso tem impactado não apenas os preços, mas também as vendas dos produtos oferecidos pelas fabricantes locais.

Discussão sobre a reintrodução da taxa de importação gera debate sobre preços, concorrência e futuro dos veículos elétricos no Brasil.

A discussão sobre a reintrodução da taxa de importação de veículos elétricos está sendo levada ao governo federal, e as montadoras locais estão fazendo um forte lobby a favor dessa medida. Segundo essas montadoras, a única saída para equilibrar a competição seria a volta da taxa de importação de veículos elétricos. Vale lembrar que, desde 2016, os carros elétricos vendidos no Brasil não estão sujeitos ao imposto de 35% que incide sobre os importados com motor a combustão. No entanto, essa alíquota não inclui modelos feitos em países do Mercosul e no México.

A chegada de modelos chineses, como o BYD Dolphin, tem feito com que fabricantes locais ajustem seus preços para se manterem competitivos. Por exemplo, a Renault, que tem uma fábrica no Brasil, reduziu o preço do elétrico Kwid E-Tech, importado da China, de R$ 149.990 para R$ 139.990, como resposta à concorrência do BYD Dolphin, que possui um preço sugerido de R$ 148.900. Além de ser mais barato, o veículo chinês é maior e oferece mais recursos tecnológicos em comparação ao modelo francês.

Montadoras estabelecidas no Brasil estão se esforçando para conter o que eles chamam de “invasão chinesa” no mercado de veículos elétricos.

As fabricantes chinesas conseguem oferecer preços mais baixos no Brasil devido ao alto volume de produção, o que reduz seus lucros por unidade. Isso representa cerca de metade do que lucram as montadoras europeias, por exemplo. A estratégia das fabricantes chinesas é conquistar a clientela brasileira oferecendo preços competitivos.

Por outro lado, as montadoras tradicionais podem ajustar suas margens de lucro (que são naturalmente mais altas) e aumentar menos o valor do produto final, mesmo se tiverem que pagar a taxa de importação. Dessa forma, elas reduzem seus lucros, mas ganham em volume de vendas dos carros mais baratos, mantendo uma posição competitiva no mercado.

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